2005: Madrid e Toledo a terra de Dom Quixote
Certo dia, há alguns anos atrás, muito anos aliás, minha mãe me disse. ao me arguir em uma matéria que estudava para a prova de geografia: - Você, quando crescer, gostaria de conhecer o mundo? Naquele tempo eu disse que era impossível para nós e que aquilo era coisa de gente rica, mas minha mãe insistia sempre na conversa, em todas as vezes que abríamos o livro de geografia ou história ela me contava sobre o seu sonho de conhecer a Europa, de ver o Santuário de Fátima, de visitar o Vaticano ou até mesmo andar pelas ruas de Paris, perto do Rio Sena e avistando a Torrei Eiffel.
Aquela conversa me inspirou, quase 50 anos depois, a buscar aqueles objetivos de mamãe, e vi, naquele já distante ano de 2005, quando comecei a rodar o mundo, que o sonho de Dona Lili não era tão impossível assim, ainda custava um pouco caro mas era possível realizar pelo menos parte daquilo que ela sempre objetivou para nós, os filhos, pois ela sabia que seu sonho seria realizado por um de nós quatro.
E lá fomos nós, eu e Marina, no dia 20 de maio de 2005, após uma grande batalha para retirar nosso primeiro passaporte em apenas uma semana de antecedência, conseguimos, agência Campos, que nos atendeu com rapidez e boa vontade. Madrid era a meta e nosso primeiro destino internacional.
Descemos no Aeroporto de Barajas no dia seguinte, logo pela manhã (foto ao lado) e começava ali um giro de apenas cinco dias mas que teria que ser totalmente preenchido com passeios, busca de conhecimento e sem medo de ser feliz.
Ainda sem dormir, viajamos a noite inteira, em voo direto São Paulo/Madrid, pela Varig, e a tardinha, antes de sairmos para o primeiro giro, recebi (foto abaixo), ainda sem um banho ou repouso, o cheque equivalente ao prêmio acima citado, que foi trocado na portaria do hotel e uma hora depois, de banho tomado e com a cabeça mais fresca, iniciamos nosso tão esperado giro por Madrid.
Tivemos sorte com nossos companheiros de viagem, dois outros vencedores em outras categorias do concurso, um paulista, do interior, que foi com sua irmã, foi contemplado por sorteio e um gaúcho, que viajou com a esposa, venceu a categoria assinante, além de outros que não andaram conosco por terem outros compromissos assumidos, mas nós, que formávamos a "ala pobre", conforme nos denominamos, andamos por toda Madrid, o metrô de lá é extenso e liga todas as regiões, e conhecemos o museus, Prato e Régia Sofia, o monumental Estádio Santiago Bernabeu e as grandes praças e avenidas da capital da Espanha.
Só tinha um compromisso agendado, ir ao jogo da noite de sábado, dia seguinte, no Bernabeu (foto ao lado), que encerrava a temporada 2004/2005 do futebol espanhol e no gramado estariam nada mais nada menos do que os dois maiores rivais da capital, Real x Atlético, que se despediam buscando o vice campeonato já que o título estava decidido em favor do Barcelona.
E quem disse que eu estava preocupado com título ou vice campeonato? No gramado simplesmente se exibiam Ronaldo, o Fenômeno, Roberto Carlos, o mágico e genial Zinedine Zidani, o inglês galã, Beckhan, o mito Raul, do lado do Real, e o então garoto promissor, Fernando Torres, pelo lado do Atletico e no banco estava Luxemburgo e sua pose, que aliás durou muito pouco ao lado do chamado time dos sonhos do Real.
O sábado foi para conhecer a capital, andar sem destino e a vontade pelas ruas de Madrid, traçamos um roteiro, fielmente cumprido, que ia do Museu do Prado até a Plaza Mayor e, se sobresse tempo, após o almoço, conhecer o famoso El Corte Inglês, a maior cadeia de lojas da Espanha, mas confesso que não estava nem um pouco interessado neste programa, mas como haviam três mulheres nós, os homens, concordamos desde que no dia seguinte nós, os machos, fossemos liberados para um tour pelo Estádio Santiago Bernabeu.
Claro que fomos atendidos e daí, após uma parada para conhecer a caña (cerveja) e os tapas (tira-gosto) famosos e indicados pelos amigos que por lá passaram, e depois de um banho de cultura nos museus citados, por sinal valeu a pena ver as telas dos genais artistas espanhóis como Picasso e Murillo, depois de um belo almoço na Plaza Mayor, um repouso nas escadarias da Igreja de Santa Cruz, terminamos a noite em uma cantina napolitana onde a conversa girou, entre mim e o proprietário (foto ao lado), que se tornou meu amigo de infância, sobre o futebol, os brasilianos Careca e Alemão, e o belo time do Napole, onde brilhara Maradona.
Madrid já tinha sido visitada, claro que faltou muita coisa, mas para dois dias era o que poderíamos fazer principalmente sabendo que já combinara antes, com o gaúcho Rodrigo, que faríamos uma visita a cidade medieval de Toledo e seria por trem para curtir ainda mais o passeio e ter algo mais para contar.
Domingo, logo pela madrugada, seguimos para estação de Atocha, a mesma que um ano antes, em 2004, foi alvo de um atentado terrorista impiedoso. Passagem comprada e lá fomos nós para conhecer as muralhas, os castelos e os labirintos da capital de Castilla, terra de Cervantes e berço de Dom Quixote, o personagem famoso do grande escritor espanhol.
E, como na vida tudo é ensinamento, foi ali que aprendi, com um garçom paraguaio, que
durante anos trabalhou na usina de Itaipu (Foz do Iguaçu) e em São Paulo, radicado em Madrid desde o século passado (foto ao lado), que na Europa o tira gosto, lá chamado de tapas, sempre acompanha a cerveja e é grátis e obrigatório.
Diogo, o Garçom, também me ensinou a não gastar uma fortuna com vinho. "Peça sempre o vinho da casa, de preferência o tinto...", disse-me ele e aprendi e me serviu de lição os ensinamentos do paraguaio.
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