ADILSON DUTRA: O SONHO QUE SE TORNOU REALIDADE

Texto e pesquisa de Tadeu Miracema 

Escrever sobre o amigo é fácil. O difícil é pautar em poucas linhas o caminho que ele percorreu ao longo de sua brilhante trajetória no jornalismo esportivo.

Dos cinco filhos do casal Zebinho Dutra e Lili, o segundo a nascer e único homem foi batizado Adilson Picanço Dutra. A Praça Dona Ermelinda foi palco e acompanhou o crescimento do garoto sonhador que tinha o futebol no sangue, mas outras paixões foram surgindo no decorrer de sua adolescência: a música e o jornalismo. As transmissões de futebol pelo rádio nos anos 60 foram de fundamental importância na sábia decisão de sonhar com o jornalismo esportivo. Jorge Curi foi um grande ídolo. No entanto, isso tudoficava no imaginário da criança. O futebol e a música c aminharam juntos, fazendo parte de seu cotidiano, sem se descuidar dos estudos, uma exigência que seus pais não abriam mão.

Já próximo de sua maioridade fez testes nas categorias de base do Vasco. Ficou treinando e alojado nas dependências de São Januário. Foi o máximo para o garoto que saiu do interior e por um tempo conviveu e treinou com alguns nomes consagrados do futebol. As coisas não caminharam como se esperava e foi dispensado – naquela época já existia jogadores que tinham “padrinhos” fortes e acabou preterido. Não deixou de ser um aprendizado para o jovem – rubro-negro de coração – que vislumbrava uma carreira dentro das quatro linhas.

Permaneceu por algum tempo no Rio, trabalhando, até que chegou o momento de retornar à cidade natal. No início dos anos 70 Miracema respirava música com o seu Festival Estudantil. Adilson participou dos eventos e nem imaginava que o microfone seria seu fiel companheiro por muitos anos, não cantando, mas no rádio. Desinibido e com uma voz que se destacava, passou a apresentar solenidades sociais e desportivas.

Trabalhou por um período na loja do Neffá, por quem sempre teve muito apreço. Calil Saluan Neto, um grande nome na comunicação, é outro citado por Adilson. Casou-se com Marina É pai de três filhos: Ralph, Gisele, Leandro e vovô de quatro netos.

Dentro do estabelecimento comercial de seu pai – em frente à prefeitura – foi apresentado ao renomado jornalista miracemense José Maria de Aquino. A tenacidade do jovem conquistou o conterrâneo e daí surgiu uma amizade fraterna que perdura até os dias atuais. Seguindo os exemplos e conselhos do Mestre Aquino, um expert no ramo esportivo, o sonho se tornou realidade, e outros ficaram para trás

O ingresso no Banerj, em 1982 – trabalhou até 2006, quando se aposentou – não o fez desistir do rádio esportivo, que assim ele define: “Minha melhor forma de viver”. Por muitos anos essa dupla jornada fezparte de sua vida, privando-o, contudo, de muitos finais de semana do convívio familiar.

Com o surgimento da Rádio Princesinha do Norte – a partir de 1982 – uma equipe de esportes foi formada sob o comando do narrador Adilson Dutra. Durante a semana, o programa “Bola em Jogo”, a partir das 18h, além do noticiário dos grandes da capital, os times amadores da cidade passaram a ter o seu espaço. Essa equipe vanguarda transmitia jogos na região e também do Campeonato Carioca. Fizeram transmissões in loco em Campos dos Goytacazes, Niterói e no velho e tradicional Maracanã. Adilson também trabalhou na Rádio Feliz, de Santo Antônio de Pádua.

Em 1985, ao se transferir para a agência do Banerj de Campos dos Goytacazes, as portas do rádio da cidade do chuvisco (doce típico) se abriram para o garoto sonhador. Começou na Campos Difusora como setorista do Rio Branco e posteriormente cobriu Americano e Goytacaz, antes de assumir a titularidade de

narrador. Foram 25 anos de trabalho em praticamente todos os veículos de mídia nos anos dourados e vitoriosos do rádio campista. Foi destaque também nas rádios Cultura, Continental e Cidade. Sempre teve o respeito dos torcedores e colegas de profissão, por isso marcou seu nome na imprensa. Trabalhando pela Rádio Cidade de Campos, recebeu a Bola de Ouro, em 1987, prêmio máximo do jornalismo esportivo brasileiro. Finalizando, Adilson chegou ao ápice de sua carreira!

Curte merecida aposentadoria e agora tem o tempo disponível para viajar pelo Brasil e exterior, realizando seus sonhos e de sua saudosa mãe, D. Lili, uma grande incentivadora, apaixonada pela nossa história universal e uma mestra em geografia.

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