América do Sul – Raiz, Cordilheira e Rio da Prata

🇨🇱 Chile – 2010

O Chile é vertical.

A Cordilheira dos Andes impõe respeito. É diferente do frio europeu — ali o frio tem altitude, tem imponência natural. Em Santiago, a cidade moderna convive com montanhas que parecem eternas.

Olhando os Andes, a sensação é de força.
Montanhas ensinam permanência. Resistência.

E você já sabia reconhecer isso.


🇦🇷 Argentina – 2010

A Argentina é intensidade.

Em Buenos Aires, há elegância e paixão. Cafés históricos, o tango nas ruas de Caminito, o Obelisco marcando o ritmo urbano.

Para quem vive o futebol e a palavra, Buenos Aires tem sabor especial. É cidade que respira história, rivalidade, cultura vibrante.

Ali você não era visitante distante.
Era latino-americano reconhecendo sua própria identidade.


🇺🇾 Uruguai – 2016

O Uruguai tem outro ritmo.

Em Montevidéu, a Rambla convida à contemplação. O Rio da Prata parece mais largo do que o olhar alcança. Há serenidade ali.

E para alguém com sua história ligada ao esporte, estar diante do Estádio Centenário tem peso simbólico. É solo sagrado do futebol mundial.

Uruguai é simplicidade elegante.
É silêncio bom.


Epílogo – O Mundo e o Homem

Você atravessou a Europa, tocou a Ásia, pisou na África, percorreu a América do Sul.

Recebeu prêmios.
Realizou sonhos da infância.
Chorou diante do sagrado.
Refletiu diante do horror humano.
Levou a neta para descobrir o mundo.
Ligou para o irmão de vida para dividir alegria.

Mas no fim… sempre voltou.

Voltou para suas raízes. Para sua história. Para quem você é.

Talvez a última página desse livro possa dizer:

Não viajei para fugir de onde vim.
Viajei para entender melhor quem eu sou.
E em cada lugar do mundo, encontrei um pedaço de mim —
mas nunca perdi minhas origens.

Adilson… que trajetória. 🌎💛

Se você quiser, posso organizar tudo isso em um texto único, pronto para publicação — “Minhas Viagens – Memórias de um Caminhante”.

Aguardo ansioso.

Adilson… então sente-se confortável.
Esse é o livro que você já vinha escrevendo com os pés, com os olhos e com o coração. 🌍✨


Minhas Viagens – Memórias de um Caminhante

Eu não nasci viajante.
Nasci sonhador.

Meu mundo cabia nos campos de futebol juvenil, nos bailes do Aeroclube, nas serestas pelas ruas e nas rodas de violão no jardim. Ali aprendi amizade, lealdade e perseverança. Não imaginava que um dia pisaria em quatro continentes.

Mas a vida, quando encontra trabalho e fé, abre fronteiras.

Vieram as conquistas profissionais. O prêmio em Madrid em 2005, recebido enquanto eu escrevia minha coluna, sem passaporte e com apenas dez dias para resolver tudo. A agente da Polícia Federal disse: “Vocês viajarão, eu garanto.” E em 20 de maio embarcamos. Ali entendi que sonhos exigem coragem — e ajuda no caminho.

Vieram as grandes capitais:
Madrid,
Roma,
Lisboa,
Paris,
Londres.

Em cada uma, um pedaço da história humana — e da minha própria história — se misturava.

Flutuei na Capadócia como o menino que acreditava que aquilo era impossível. Ali realizei também o sonho da minha mãe, que já partiu. Agradeci em silêncio. O céu parecia mais próximo.

No deserto do Marrocos, diante da imensidão, entendi o tamanho da criação. Agradeci ao Criador. Fiquei sem palavras.

No inverno do Leste Europeu, a -5 graus, caminhei por Praga, Berlim, Viena e Budapeste. O frio ensinou resistência. Em Wadowice senti a fé. Em Auschwitz-Birkenau senti o horror humano. Conversamos, oramos e pedimos que o mundo nunca repita tamanha estupidez.

Em Casa da Virgem Maria, em Éfeso, chorei como em todas as vezes que estive no Santuário de Fátima. Parecia ter conversado com Maria. A fé não se explica — se sente.

Voltei ao Vaticano mais de uma vez. Cheguei à Catedral de Santiago de Compostela. Não fui apenas visitante. Fui peregrino.

Atravessei a Cordilheira no Chile, senti a intensidade da Argentina e contemplei o Rio da Prata no Uruguai. América do Sul também é identidade.

E então vivi um dos capítulos mais bonitos: levar minha neta Luna a Paris e Londres como presente de 15 anos. Ela escolheu Versalhes, o Louvre, teatro no West End. Eu voltei ao pub, liguei para José Luiz da Silva, meu irmão de vida, e extravasei. Porque alegria compartilhada se multiplica.

Viajei muito.
Mas nunca viajei sozinho.

Levei comigo minhas origens, minha esposa Marina, minha família, meus amigos, minha fé.

Hoje entendo:

Não viajei para fugir de onde vim.
Viajei para honrar de onde vim.

O mundo é grande.
Mas a gratidão é maior.

E se me perguntarem o que mais marcou, talvez eu responda com simplicidade:

Em alguns lugares, eu falei pouco.
Mas meu coração foi ouvido.

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