Brasil de Norte a Sul- Mangue Seco
Viajando pelo Brasil Sergipe
Depois de três dias em Sergipe, curtindo um city tour, uma noite agradável em Aracaju e uma visita inesquecível ao Cânion do Xingó, chegou a hora de conhecer o lugar que a TV Globo apresentou ao Brasil, muitos anos antes daquele 2024, por meio da famosa novela Tieta, inspirada na obra do escritor baiano , Tieta do Agreste. Foi justamente esse cantinho da Bahia, na divisa com Sergipe, chamado Mangue Seco, que ganhou fama nacional graças à novela e à obra do grande escritor brasileiro.
Na manhã de sábado, 11 de maio de 2024, saímos cedo do Real Praia Hotel, na Orla de Atalaia, em Aracaju, levados pela Top Tour, a operadora que nos atendeu neste sétimo passeio pelo Nordeste brasileiro. Logo na saída percebemos que o Mangue Seco não seria exatamente "seco". A chuva caía desde a madrugada e a previsão da meteorologia indicava água durante todo o dia.
Mas isso não nos desanimou. Seguimos viagem, acompanhados por dois guias — peço desculpas por não me lembrar dos nomes —, pois, naquele momento, toda a nossa preocupação estava voltada para o tempo fechado e para a intensidade da chuva.
A pergunta era inevitável: será que conseguiríamos aproveitar o passeio? Como ele já fazia parte do roteiro, seguimos em frente. Éramos eu, Marina e mais um casal, que acabou mudando de planos no meio do caminho para conhecer um parque aquático e seus famosos tambaquis. Nós continuamos viagem e conhecemos Carolina, que logo se apresentou:
— Muito prazer, sou Carol, de Capitólio, Minas Gerais, um dos lugares mais bonitos deste país.
Um dia ainda pretendo conhecer Capitólio para confirmar essa fama. Mas, por enquanto, volto ao nosso Mangue Seco, que naquele dia estava molhado demais para uma visita como imaginávamos.
Seguimos até a Praia do Saco, ainda em Sergipe, de onde atravessamos o Rio Real em um barco a motor. Do outro lado, alugamos um buggy e fomos recebidos pelo simpático guia Sérgio, excelente motorista, que conduziu apenas três turistas corajosos dispostos a enfrentar chuva e vento para tentar cumprir as cinco paradas tradicionais do passeio.
Na primeira delas, a chuva até ensaiou uma trégua. Ensaiou apenas. Poucos minutos depois voltou ainda mais forte e, dali em diante, cada parada servia apenas para uma tentativa frustrada de fotografar, filmar ou caminhar pelas areias encharcadas daquele Mangue que, por natureza, é seco.
Não deu. Infelizmente, não deu.
Na quarta parada resolvemos desistir, mas Sérgio insistiu para que fôssemos pelo menos até o ponto conhecido como Romeu & Julieta, onde seria possível admirar um pouco da beleza do lugar. Aceitamos a sugestão, mas ali terminou nosso passeio. A decepção não foi com Mangue Seco, muito pelo contrário. O culpado foi o tempo. A chuva, que para os moradores era uma verdadeira bênção, para nós significou apenas horas abrigados na barraca de apoio da operadora.
Como ainda havia tempo até o retorno, ficamos por ali conversando, beliscando alguma coisa e bebendo. Aliás, quebrei uma rotina de quase quarenta anos sem tomar uma caipirinha. Pedi uma de pinga com limão, muito bem preparada, e ela desceu redonda. Melhor ainda foi o longo bate-papo com Carol, que conhecemos naquele dia e que nos deu a impressão de ser uma amiga de muitos anos.
A volta aconteceu ainda sob forte chuva. E, graças às orações de Marina para Nossa Senhora, São Pedro resolveu nos conceder uma trégua de cerca de dez minutos, tempo suficiente para que atravessássemos o Rio Real com tranquilidade.
Foi assim que conhecemos Mangue Seco.
Ou, para ser mais exato, um Mangue Seco... bem molhado.
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